top of page
Buscar

A IMPORTÂNCIA DO PRÉ NATAL

  • revistasaudeprimes
  • 4 de out. de 2020
  • 7 min de leitura

A chegada de um filho é uma montanha-russa emocional. Ao mesmo tempo em que a felicidade parece transbordar para os futuros pais, as preocupações e dúvidas aumentam à medida que a barriga cresce e se aproxima a data do nascimento. Por meio do acompanhamento médico no pré-natal, é possível não só conferir a saúde da futura mamãe e do bebê, com exames clínicos e laboratoriais, mas também sanar as inseguranças corriqueiras da gravidez.

A realização do pré-natal representa papel fundamental na prevenção e/ou detecção precoce de patologias tanto maternas como fetais, permitindo um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos da gestante

Assim sendo, um dos objetivos do pré-natal é avaliar a saúde prévia da mulher, conhecer seu histórico médico e prever possíveis complicações que possam acontecer durante a gestação.

É importante, ainda, para acompanhar a evolução da gravidez, fazer diagnósticos precoces de malformações fetais ou doenças congênitas no bebê.

O pré-natal é indicado para toda e qualquer gestante. O ideal seria se iniciar ainda antes da concepção e se estender até o pós-parto, que é um período de 45 dias após o nascimento do bebê, o que se denomina puerpério.

Durante o pré-natal a nova mãe recebe orientações gerais sobre a gravidez, como o que fazer com possíveis alterações na pele, desconfortos comuns da mudança hormonal, como controlar o ganho de peso com uma alimentação saudável, etc. Além dos primeiros cuidados com o recém-nascido e a importância da amamentação.

.

Pelo Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), do Ministério da Saúde, é recomendável que sejam realizadas, no mínimo, seis consultas de pré-natal.

O mais comum é que logo após a confirmação da gravidez as consultas sejam realizadas mensalmente até a 32 semana de gestação. Entre a 33 e a 36 o ideal é que sejam feitas consultas quinzenais e a partir daí consultas semanais O maior número de consultas nos três últimos meses é para avaliar riscos de parto prematuro, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, entre outras intercorrências que podem acontecer nesse período.

Geralmente é na primeira consulta que será estabelecida a relação médico-paciente. Nessa consulta, o médico analisará toda a vida da gestante, como doenças preexistentes, cirurgias e gestações anteriores, hábitos de vida, alimentação, além de tirar dúvidas e orientá-la sobre como é o processo natural da gestação.

Em um processo natural as dúvidas do casal vão surgindo de acordo com a progressão da gestação. Sendo assim a comunicação com o médico prénatalista é de suma importância. Em todas as consultas o médico vai aferir a pressão arterial, conferir o ganho de peso e a altura uterina da mãe e os batimentos cardíacos do bebê.

EXAMES LABORATORIAIS E EXAMES DE IMAGEM

Durante a realização de pré-natal alguns exames devem ser realizados

Os exames no pré-natal incluem os obrigatórios e os complementares, realizados de acordo com a indicação médica. Os exames obrigatórios na gestação são:

1. Hemograma completo: importante na avaliação de anemia, comum em gestantes.

2. Tipagem sanguínea e fator Rh: essencial para prevenir a eritroblastose fetal, doença causada pela incompatibilidade do sangue da mãe com o do filho, além de otimizar transfusão sanguínea, se necessário.

3. Coagulograma: para determinar problemas sanguíneos preexistentes.

4. Glicemia de jejum: para conferir se há diabetes.

5. Sorologias para hepatite B, hepatite C, VDRL (Sífilis), HIV, toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus. Todas essas doenças podem causar malformações e até mesmo a morte do bebê. Caso essas doenças sejam identificadas é possível tratá-las para reduzir os riscos de transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou no trabalho de parto. E, caso haja a transmissão, reduzir as sequelas que elas possam trazer para o bebê.

6. Protoparasitológico de fezes (exame de fezes): útil na determinação de alguma infecção intestinal.

7. Colpocitologia oncótica (Papanicolau): determina alguma alteração no útero, como câncer de colo de útero.

8. Teste de Coombs: solicitado todos os meses caso a mãe tenha o sangue Rh negativo e o pai Rh positivo. A incompatibilidade entre o fator Rh do sangue materno e do feto pode fazer com que o organismo da mãe crie anticorpos contra o Rh positivo do bebê, causando uma doença conhecida como eritroblastose fetal. Se os anticorpos forem detectados no sangue materno, a mulher deve tomar uma vacina específica para essa condição.

9. Teste de tolerância oral a glicose: em casos de suspeita de diabetes gestacional, podendo complementar a glicemia de jejum. Ressalta-se que esse exame é solicitado a todas às gestantes por volta da 28 semana de gestação.

Já quanto aos exames de imagem, os principais são os exames ultrassonográficos e a ecocardiografia fetal. Este é de fundamental importância para detecção de possíveis patologias cardíacas fetais.

Quanto aos exames de ultrassom tem-se que:

O primeiro ultrassom é solicitado logo na primeira consulta. Ele é feito via transvaginal, preferencialmente entre a e a 8ª semana da gestação, quando já é possível visualizar o saco gestacional e os batimentos cardíacos do embrião.

Seus principais objetivos são:

· Confirmar a gravidez

· Saber se é uma gravidez única ou múltipla

· Saber se a gravidez é tópica (o embrião cresce dentro do útero) ou ectópica (o saco gestacional está fora do útero, nas trompas).

Esse exame também é utilizado para precisar o tempo de gravidez e compará-lo à data da última menstruação informada pela mulher. Esses dados são importantes para determinar a data prevista para o parto. No ser humano a gestação tem a duração de 37 a 42 semanas.

A segunda ultrassonografia deve ser feita, preferencialmente, entre a 11ª e a 14ª semanas de gestação. É a chamada de ultrassom com avaliação de transnucência nucal e doppler colorido. Seu principal objetivo é avaliar algumas estruturas fetais. A presença de alguma alteração nessas estruturas pode ser indicativo de Síndrome de Down ou outras doenças cromossômicas. É importante seguir o tempo recomendado para a realização do exame porque após a 14ª semana essa estrutura já não é mais visível nas imagens de ultrassom.

Nesse exame, também é verificada a presença do osso nasal e o ducto venoso do bebê, ambas estruturas também são utilizadas para rastreio de malformações fetais. O doppler colorido realizado neste exame é muito importante para predição de uma futura alteração em relação as alterações pressóricas da gestante.

O terceiro ultrassom é o morfológico. Ele é feito entre a 20ª e 24ª semana da gravidez. Nessa etapa é possível enxergar o bebê com mais detalhes, permitindo avaliar se seu crescimento e aparência estão dentro dos padrões de normalidade. Serão avaliados órgãos internos e externos como estruturas cerebrais, coração, rins, pulmões, dedos dos pés e das mãos, etc.

O médico ultrassonografista também vai medir o fêmur e a circunferência abdominal e assim a gestante saberá o tamanho do seu bebê nessa fase! É um exame importante para detectar malformações e também para avaliar se as artérias que levam sangue e nutrientes para o bebê através da placenta estão dentro do esperado.

Por volta da 32 semana de gestação é solicitado o quarto ultrassom, onde será avaliado a circulação materno fetal e a circulação intra-fetal. Este exame tem sua importância, pois é nele que também são identificadas alterações que podem levar à eclampsia, por exemplo.

Já o quinto ultrassom é feito no final da gestação, após a 35ª semana. É nesse momento que será analisada a posição do bebê no útero: se ele está cefálico (encaixado no canal de parto), pélvico (sentado) ou córmico (de lado). Também será avaliada a localização da placenta, o volume do líquido amniótico, o tônus musculares, respiração e movimentação do bebê, etc. Junto com um exame chamado de carditocografia fetal ante parto, esse último exame ultrassonográfico faz uma avaliação de vitalidade fetal, que é de extrema importância para o planejamento do parto e para prever e evitar complicações.

Estes exames de imagem fazem parte de um pré-natal básico, porém outros exames de imagem podem ser solicitados se forem necessárias.

Outra atuação importante do pré natalista é a avaliação da situação vacinal da gestante.

É importante que, sempre que possível, antes de engravidar a mulher esteja com seu calendário vacinal em dia. Isso porque algumas vacinas, alguns importantes para evitar doenças congênitas, são contraindicadas durante a gestação. É o caso, por exemplo, da vacina tríplice viral, que contém o vírus atenuado da rubéola.

Outras vacinas com essa composição e que as gestantes não devem tomar são: BCG, catapora, poliomielite, caxumba e sarampo.

De acordo com a condição vacinal da gestante algumas vacinas em atraso poderão ser indicadas. No entanto, mesmo essas, só devem ser tomadas após os três primeiros meses da gravidez, para evitar riscos para o bebê.

Para as que estiverem com o calendário atrasado será preciso tomar as três doses contra a hepatite B e as três doses da vacina dT, contra difteria e tétano.

A vacina contra a Influenza, que oferece proteção contra complicações causadas por vírus da gripe, deve ser tomada por todas as gestantes, mesmo as que estiverem no primeiro trimestre da gravidez. Mas importante nos dias de hoje se faz a vacinação contra influenza, nesse momento tão diferente pelo que passamos- a pandemia de corona vírus. Ela é ofertada durante a campanha anual contra a gripe ou durante o ano nas clínicas particulares.

Em 2014, o Ministério da Saúde incluiu no calendário de vacinação da gestante a vacina dTpa, contra difteria, tétano e coqueluche. Essa vacina deve ser tomada entre a 27ª e a 36ª semanas de gestação. A inclusão tem o objetivo de proteger os recém-nascidos contra a coqueluche, já que os anticorpos produzidos pela mãe passam para o bebê.

Os casos de coqueluche cresceram muito nos últimos anos, sendo que 87% deles acometeram bebês menores de seis meses. Nessa idade os pequenos ainda não completaram o esquema vacinal e ficam mais suscetíveis à doença. Por isso, a importância da vacinação da gestante para dar alguma proteção ao recém-nascido.

Um pré-natal bem feito impacta não só na mulher, mas no nascimento e no bebê que está vindo.

Às vezes as pessoas se preocupam muito com o parto e esquecem do pré-natal. O pré-natal é de suma importância. Ele vai culminar com o nascimento do bebê, com a saúde dele e tudo isso será determinado pelo o que aconteceu durante o acompanhamento.

O pré-natal bem feito, ou seja, uma mulher que foi bem acompanhada, vai impactar de forma muito positiva no parto e também na vida dessa criança no decorrer de sua infância.

O pré-natal além de ser primordial, é um direito assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente para todas as mulheres. Todas as gestantes têm o direito de serem acompanhadas, acolhidas e receberem toda a assistência necessária para o período.

Ou seja, sempre procure uma assistência médica obstétrica adequada assim que houver a decisão de uma gestação.

 
 
 

Comentários


  • Black Facebook Icon
  • Black Instagram Icon

© 2026 SAÚDE INFORMA. 

bottom of page